Recentemente, uma equipe de brasileiros especializados em distúrbios do sono publicou um estudo no Journal Sleep Research (revista de medicina da Sociedade Europeia de Pesquisa em Sono) que chamava a atenção para um sintoma inusitado: o excesso de sono em idosos.

De acordo com os especialistas, o normal nesse período da vida (a partir dos 65 anos) é uma sensível diminuição da necessidade de dormir. Portanto, o excesso de sono, segundo eles, traria em seu bojo um sinal de transtorno na saúde do idoso. E pior! A falta de sono teria uma relação direta com os índices de mortalidade em indivíduos com idade avançada na América do Sul.

O excesso de sono ou a sua deficiência estariam, de certa forma, ligados aos índices de morte de indivíduos de todas as idades.

No caso do sono em excesso, o problema seria decorrente da suspensão das atividades cognitivas por um longo período, diminuição das horas do dia de exposição ao sol e à luz, além de poucos estímulos físicos, químicos e biológicos que, de acordo com os estudiosos, comprometem drasticamente a expectativa de vida de um indivíduo.

De acordo com pesquisas, dormir pouco é bem melhor para a saúde do que dormir em excesso.

Já a insônia agiria, digamos, como agente promotor de alterações metabólicas (ou da sua má condução). Ela desarranja todo o sistema imunológico, tornando um indivíduo mais vulnerável à ação de micro-organismos oportunistas, além de propenso a distúrbios cardiovasculares, circulatórios, hormonais, entre outros.

O curioso é que, de acordo com a pesquisa, o excesso de sono em idosos seria muito mais nocivo à saúde do que a escassez.

Uma situação comprovada por meio de vários experimentos e pesquisas com idosos habitantes da América do Sul. Experimentos que demonstraram uma taxa de mortalidade bem maior entre indivíduos acima dos 65 anos que dormem entre 7 e 9 horas por dia, em comparação com os que possuem o hábito de dormir entre 6 e 7 horas.

Seguiram-se outros estudos nessa mesma linha de investigação, e praticamente todos comprovaram a tese dos investigadores: idosos que dormem pouco não necessariamente têm algum tipo de distúrbio. Ao contrário! O “vilão”, ao menos nesse caso, seria, por incrível que pareça, o sono excessivo durante a noite.

No Brasil, o padrão segue sem grandes alterações. A média de sono dos brasileiros está entre 7 e 8 horas (considerada padrão).

Porém, quando se trata de idosos, as dificuldades de levantar dados precisos vêm do fato de que a maioria dos estudos utiliza informações de indivíduos com algum tipo de doença. O que é um erro, de acordo com a opinião geral, pois uma pesquisa ideal sobre os hábitos de sono entre idosos deve ser feita com indivíduos saudáveis, para que somente as características da idade sejam levadas em consideração.

Apesar disso, os trabalhos no Brasil são concordantes com as pesquisas fora do país. Elas comprovam que o excesso de sono em indivíduos com idade avançada é um problema que, inclusive, tem relação com o número de mortes nessa faixa etária. E que, ao contrário do que se imaginava, dormir menos, especialmente em se tratando de idosos, não significa, necessariamente, algum transtorno orgânico.

Quais são as principais causas do excesso de sono?

1.Mal de Alzheimer

Novas descobertas da ciência indicam uma relação entre o mal de Alzheimer e o excesso de sono em indivíduos com mais de 65 anos.

Especialistas como o professor do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Medicina da França, Claudine Berr, descobriram que o excesso de sono, principalmente entre indivíduos da terceira idade, pode ser um indicativo de transtorno em suas funções cognitivas e cerebrais.

Para tentar corroborar as suas suspeitas, o especialista francês ainda selecionou cerca de 15 mil enfermos acima dos 70 anos, para participarem de um estudo sobre a relação entre excesso de sono e o mal de Alzheimer.

O resultado, apesar de não conclusivo, foi bastante sintomático. Todas as mulheres que mantinham uma rotina de sono abaixo de 5 horas e acima de 9 horas, apresentaram determinadas modificações cerebrais indicativas do transtorno.

Por afetar as funções cerebrais, o mal de Alzheimer pode apresentar como um dos seus sintomas o excesso de sono em idosos.

Por afetar as funções cerebrais, o mal de Alzheimer pode apresentar como um dos seus sintomas o excesso de sono em idosos.

2.Deficiência nutricional

O tempo, além de experiência e bagagem de vida, traz também uma série de alterações físico-químicas no organismo que, entre outras coisas, dificultam a absorção dos nutrientes ingeridos com a alimentação.

A deficiência de substâncias como ferro, vitaminas D, C, E e B12, potássio, entre outros nutrientes, é uma das principais responsáveis pela ineficiência do sistema imunológico, transtornos cerebrais e anemia profunda.

O excesso de sono, especialmente em idosos, pode ser, portanto, um indicativo da deficiência dessas substâncias.

3.Depressão

A depressão é uma doença que já atinge cerca de 322milhões de indivíduos no mundo todo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. E os idosos não ficam de fora dessa estatística. Entre eles os casos multiplicam-se a cada dia, independentemente da classe social a que pertençam.

A doença caracteriza-se pela queda da autoestima, indisposição, desânimo, tristeza profunda, angústia sem um motivo aparente, perda de apetite, excesso de sono, entre outros sintomas.

Nesses casos, o recomendado é recorrer, o mais rapidamente possível, à ajuda de um psicoterapeuta, que é o profissional capaz de fazer um diagnóstico preciso.

O aumento da expectativa de vida e as transformações sociais também fizeram dos idosos alvo da depressão.

O aumento da expectativa de vida e as transformações sociais também fizeram dos idosos alvo da depressão.

4.Efeito de medicamentos

Medicamentos como benzodiazepínicos (clonazepan, diazepan, bromazepan, etc.), opioides (morfina, codeína, fentanil, etc.) e antipsicóticos (clorpromazina, quetiapina, dibenzepina, benzamida, etc.) estão entre os mais prescritos para indivíduos com sérios danos psicológicos.

Além desses, os medicamentos para o combate de transtornos cardiovasculares costumam “baixar a pressão”, e também contribuem para esse excesso de sonolência em idosos.

O problema é que tais substâncias, devido à sua poderosa concentração, têm uma ação tranquilizante com duração maior, e certa sonolência durante o dia torna-se algo praticamente inevitável.

Devido às alterações metabólicas por que passam esses indivíduos, as substâncias costumam demorar mais para serem eliminadas, e os seus efeitos acabam sendo bastante prolongados.

5.Doenças

Também algumas doenças, como: hipotireoidismo, problemas renais, diabetes, hipertensão, entre outras, são responsáveis por certo desequilíbrio no metabolismo do organismo – principalmente em idosos –, causando, entre outras coisas, o excesso de sono.

No caso do hipotireoidismo, por exemplo, o comprometimento da produção de hormônios responsáveis pelo aceleramento do metabolismo, é o principal responsável por esse sintoma.

Para completar, algumas moléstias, como AVC, mal de Parkinson, tumores e infecções cerebrais, apresentam como sintomas uma incômoda sonolência. Enquanto os transtornos renais e hepáticos têm, como principal característica, o acúmulo de substâncias tóxicas no sangue, capazes de comprometer o adequado funcionamento do cérebro.

6.Hipersonia

A hipersonia caracteriza-se por um excesso de sono durante o dia, muito por conta de diversos fatores que geralmente escondem-se por trás desse tipo de sintoma.

A doença é fácil de ser identificada, por ser uma consequência direta da insônia. Ou seja, o indivíduo que não consegue ter uma noite adequada de sono convive com uma incômoda sonolência durante o dia. E, na maioria das vezes, essa insônia não é percebida; consequentemente, o excesso de sonolência é atribuído a outras causas.

Porém distúrbios como problemas cardíacos, uso de antialérgicos, tranquilizantes, ou mesmo hipotireoidismo, hipoglicemia, enfizematose, entre outros, podem estar por trás desse mal.

Existe algum tipo de tratamento?

O tratamento com drogas, também nesse caso, só poderá ser iniciado por um especialista.

O tratamento do excesso de sono em idosos é feito com base em um diagnóstico prévio realizado pelo clínico geral. O profissional, por meio de uma anamnese, irá detectar as causa por trás do transtorno.

Essas causas, muitas vezes, têm um diagnóstico extremamente simples, como, por exemplo, noites mal dormidas devido a um ambiente barulhento, muito iluminado ou desconfortável.

Após a exclusão de todo e qualquer transtorno que possa ser o causador do sintoma, é hora de atacar outras possíveis patologias das quais o idoso possa ser portador. Problemas como insuficiência cardíaca, hipotireoidismo, problemas renais e hepáticos, doenças respiratórias, entre outras afecções, devem ser descartados.

É possível, ainda, que o profissional recorra a exames, como eletroencefalograma (ECG), olissonografia (observação do paciente enquanto dorme), MAPA, ECG, MSLT (que mede o tempo necessário para que o idoso adormeça), entre outros exames necessários.

O tratamento segue com a administração de estimulantes, antidepressivos, (comipramina, metilfenidato, entre outros), oxibato de sódio (para recuperação do tônus muscular), inibidores da recaptação de serotonina (clonazepan, diazepan etc.), entre outras substâncias, de acordo com cada caso específico.

Quais especialistas devo buscar?

1.Clínico geral

Este é o profissional que, digamos, irá realizar as primeiras investigações sobre esse excesso de sono. Por meio de uma anamnese e exames laboratoriais descartará as possíveis causas que podem estar por trás do distúrbio.

A medicina concorda que mais de 90% das queixas relativas à saúde de um indivíduo são resolvidas ali mesmo, com o clínico geral. E somente em casos muito específicos – quando o problema ultrapassa a sua esfera de competência –, é que um especialista deverá ser chamado.

As características que tornam esse profissional tão especial são várias: geralmente acompanham o indivíduo por longa data (e, por isso, conhece seu histórico de vida), têm uma visão geral da sua saúde, atuam em projetos públicos ligados à prevenção de doenças, entre outras características.

Além disso, o clínico geral faz uma espécie de ponte entre o paciente e o especialista. Ele faz esclarecimentos, fornece o histórico de medicamentos que utiliza, entre outras ações.

2.Geriatra

O geriatra é o médico dos idosos por excelência. Ele é o responsável por fazer com que o seu organismo esteja mais ou menos de acordo com os anseios da mente. A forma de atuação deve ocorrer dentro de um sistema holístico, onde fatores físicos, mentais, sociais, sexuais, profissionais e espirituais sejam devidamente contemplados durante o tratamento.

É ele quem ajuda o paciente a adquirir a tão sonhada “autonomia” em seu dia a dia. Com o auxílio de outros profissionais, torna possível ao idoso ter uma rotina menos dependente – o que, de acordo com a moderna geriatria, é um dos seus principais objetivos.

No caso específico do excesso de sono em pacientes idosos, fatores típicos dessa fase da vida podem ser os desencadeadores do sintoma. E somente alguém que dedicou a sua vida a entender como um indivíduo “funciona” a partir de certa idade poderá ser capaz de perceber detalhes que outros profissionais deixam passar totalmente despercebidos.

Por meio de uma visão holística, o geriatra trata do indivíduo como um todo.

Por meio de uma visão holística, o geriatra trata do indivíduo como um todo.

3.Psicólogo

A senilidade é a característica de um envelhecimento acompanhado por diversos tipos de distúrbios, como demência, esquizofrenia, doenças degenerativas, mal de Alzheimer, entre outras afecções.

O excesso de sono em idosos, por exemplo, pode estar associado a distúrbios das suas funções cognitivas e cerebrais, que é o que justamente caracteriza doenças como mal de Parkinson, mal de Alzheimer, demência, perda de memória, entre outras.

É aí que surge a importância fundamental do psicólogo ou psicoterapeuta, como o profissional capaz de realizar uma investigação profunda da saúde mental do idoso.

Por meio da sua atuação, a família terá o suporte necessário para lidar, por exemplo, com as sensações causadas em quem presencia o lento comprometimento das faculdades mentais de um familiar, mas precisa lidar com isso de uma forma madura e realista.

O psicólogo será, portanto, o responsável por tratar fatores emocionais que porventura estejam por trás de determinados sintomas que acometem os indivíduos a partir de certa idade.

4.Nutricionista

A função inicial do nutricionista no combate a distúrbios como o excesso de sono em idosos é investigar a possibilidade de a deficiência de determinados tipos de nutrientes estar por trás desse mal.

Como se sabe, a deficiência de substâncias, como ferro, fósforo, potássio, vitaminas C,D,E, B12, entre outras, no organismo de um indivíduo é uma das principais responsáveis pela queda da imunidade, instalação de um processo de anemia profunda, fraqueza, mal estar, indisposição, entre outros distúrbios, que podem manifestar-se nos idosos por meio de uma sonolência excessiva.

Um planejamento alimentar bem feito alinhará a prática de atividades físicas, o uso de medicamentos, a forma de preparo dos alimentos, as necessidades nutricionais de cada idoso, as alterações metabólicas que impedem a absorção dos nutrientes, entre outras ações.

Com isso, o nutricionista eliminará a deficiência nutricional do hall dos fatores desencadeadores desse distúrbio.

Este artigo satisfez suas dúvidas? Deixe a resposta, em forma de um comentário, logo abaixo. Ele é importantíssimo para a elaboração de novos trabalhos sobre o tema.