Uma alimentação balanceada pode fazer toda a diferença para a longevidade de um indivíduo, principalmente quando se trata de um idoso acamado. No entanto, quando esse indivíduo já atingiu certa idade e não teve grandes cuidados com a sua alimentação o que fazer?

É comum um ganho de peso em indivíduos entre 45 e 55 anos por conta da diminuição de determinados hormônios que colaboram com a manutenção do peso em níveis, digamos, aceitáveis.

Para se defender, o corpo evita queimar calorias em excesso, já que, nessa idade, as necessidades energéticas são bem maiores.

Logo, o recomendado é que, a partir dos 50 anos de idade, a preocupação com a alimentação faça parte do dia a dia do indivíduo. Deve-se, por exemplo, evitar longos períodos de jejum e manter uma alimentação cada 3 horas, a fim de evitar o excesso do acúmulo de gordura.

Também é importante evitar o excesso de alimentos industrializados, bastante conhecidos pelas suas altas dosagens de conservantes, antioxidantes, acidulantes, corantes, gorduras saturadas, sódio, entre outras substâncias consideradas tóxicas para todas as pessoas, mas ainda mais para os idosos.

Já as bebidas alcoólicas, além de interferirem nas medicações, aumentam o peso e desarranjam o sistema metabólico. Por isso, podem muito bem constar na lista das substâncias proibidas para indivíduos acima dos 65 anos.

Sem contar os produtos refinados, como farinha e açúcar, por exemplo, já que, nessa faixa etária, contribuem para a ocorrência de constipações, má digestão, diabetes, entre outros transtornos que costumam ser potencializados durante a velhice.

Quando se chega a uma certa idade, é preciso dar adeus a alimentos gordurosos, bebidas alcoólicas e, até mesmo, os “inofensivos” produtos industrializados.

Qual a dieta mais adequada para o idoso acamado?

Determinar o tipo de dieta ideal para um idoso em convalescença não é uma decisão fácil. Deve-se levar em conta a atual situação do organismo, as possíveis doenças, os hábitos alimentares, utilização de sondas, entre outros detalhes que interferirem na forma como o indivíduo deverá ser alimentado.

Uma alimentação normal, ou seja, por via oral, deve levar em consideração também a quantidade de dentes na boca, o estado da cavidade oral e do aparelho digestivo, enfim, uma série de variáveis que não permitem uma padronização para a alimentação de um idoso acamado.

Apesar de todos esses parâmetros, a alimentação normalmente pode ser baseada em: arroz cozido, sopas, caldos, frutas, verduras, leite (de preferência desnatado), carne vermelha, cereais (aveia, grão-de-bico, milho etc.), batatas, mandioca, inhame, entre outros alimentos que combinem vitaminas, sais minerais, proteínas e carboidratos – considerado o “quarteto mágico” quando se trata de alimentação.

Em alguns casos é preciso que haja o engajamento da família em torno dessa nova realidade. Vale a pena adaptara alimentação da família à do idoso para que ele não se sinta excluído.

Outra coisa importante é tentar tornar o alimento visualmente mais agradável. A apresentação, os condimentos, o uso de ervas finas, cores variadas são técnicas bastante poderosas que o incentivam a alimentar-se adequadamente.

Enfim, é importante fazer com que a alimentação seja um momento prazeroso na vida. Para isso, use a criatividade e tenha sensibilidade.

A dieta de um idoso acamado deve levar em consideração o seu estado de saúde, a quantidade de dentes na boca, a utilização de sondas, entre outras características.

E quanto às sondas?

A forma mais comum de alimentação por sonda em um idoso acamado é por via nasoenteral. Esse aparelho é introduzido nas narinas, para que a alimentação atravesse-as sem qualquer transtorno, até atingir o estômago ou o intestino.

Para isso, é preciso que a alimentação seja mais que pastosa (quase líquida). A maneira ideal de realizar essa alimentação é a partir da mistura da água proveniente do cozimento de carnes, peixes, legumes e demais alimentos.

É preciso tornar a alimentação o mais fluida possível. E isso pode ser conseguido, por exemplo, acrescentando sucos, leite, azeite ou mesmo água aos mais diversos tipos de alimentos já triturados. E como o paciente não poderá sentir o sabor através da sonda, dificilmente rejeitará.

Outra coisa importante é com relação aos cuidados com a sonda que, em hipótese alguma, pode ser obstruída por pedaços de alimentos. Para isso, é importante que eles sejam muito bem triturados, cozidos ou batidos no liquidificador, para que se tornem uma substância fluida, capaz de ser introduzida pela sonda sem qualquer tipo de problema.

Finalmente, é importante falar um pouco mais sobre a manutenção desse tipo de dieta via sonda em idosos acamados. O recomendado, nesses casos, é que o alimento seja preparado todos os dias e guardado na geladeira, para ser batido em liquidificador minutos antes de ser consumido pelo paciente.

Essa atitude garante a preservação dos seus nutrientes e evita a ação de micro-organismos patogênicos.

Importante

Por mais atenção e cuidados que uma família possa ter, nada substitui a experiência de um profissional.

Um clínico geral, por exemplo, será capaz de fazer os primeiros diagnósticos dos possíveis transtornos que acometem um indivíduo em idade avançada e, caso necessário, encaminhá-lo a um especialista.

Em muitos casos, é ele quem acompanha o indivíduo por toda a sua vida, configurando-se como o antigo “médico de família”.

Já o nutricionista é aquele que conhece as características de uma boa dieta para um idoso acamado. Ele fará um planejamento com base no seu biotipo, nas doenças preexistentes, no histórico alimentar e nas necessidades nutricionais, além de supervisionar a forma de preparo dos alimentos, as reações medicamentosas, entre outras funções típicas desse profissional.

O geriatra, por sua vez, é o “médico dos idosos”. É ele o responsável por, digamos, fazer com que o seu corpo atenda às exigências da sua mente, que de modo geral não se degrada na mesma proporção.

Por meio de técnicas bem elaboradas, trabalhará para trazer a tão sonhada “autonomia” no dia a dia do idoso.

Por fim, e não menos importante, entra em ação o fonoaudiólogo que, com a ajuda de uma equipe multidisciplinar atua na prevenção, no diagnóstico e na reabilitação dos transtornos relacionados com a audição, o equilíbrio, a fala, a cognição, a deglutição, entre outros distúrbios típicos da terceira idade.

A dieta para um idoso acamado tem como principal característica a sua consistência fluida e de fácil deglutição. Como impedir que o momento da alimentação seja um transtorno na vida de um idoso? Deixe seu comentário logo abaixo e acompanhe as próximas publicações.