Dores de cabeça frequentes: quais são os tipos e como afetam os idosos?

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Dores de cabeça são sinônimos de baixa qualidade de vida.

A manutenção de um ritmo de vida pouco saudável faz sobrecarregar o físico e a mente do indivíduo. As aflições, neuroses e crises de estresse ao longo do dia, somadas à falta de exercícios físicos e à ausência da prática da meditação, trazem centenas de pensamentos ruins, agitados.

Em situações assim, o cérebro dificilmente relaxa, a mente não se esvazia e, logo, as noites são mal dormidas.

Essa é a receita perfeita para que uma pessoa sofra constantemente de dores de cabeça.

Em geral, esse problema em idosos tem causas mais graves quando comparado à população mais jovem. O importante é que haja um acompanhamento médico, para entender qual a origem e o tipo de cefaleia, objetivando melhorar a qualidade de vida do indivíduo na terceira idade.

Quais são os três principais tipos de dores de cabeça (cefaleia)?

Há três tipos de cefaleia.

Primário

É o tipo mais comum na população. No grupo das cefaleias primárias está a famosa enxaqueca e a cefaleia tensional.

Enxaqueca

Pela grande ocorrência vinculada à elevada intensidade de dor e cronicidade da condição, será dado maior destaque a esse tipo primário de dor de cabeça no item “O que é enxaqueca?”
Cefaleia tensional

É o tipo de cefaleia mais comum que existe. Basicamente todas as pessoas tiveram, têm ou vão sofrer dessa condição, pois é ocasionada por cansaço emocional ou estresse. Tem ocorrência em ambos os sexos e faixas etárias, todavia há maior predisposição em mulheres entre a puberdade e a menopausa.

Por estar vinculada a maus hábitos comportamentais no dia a dia, pode apresentar caráter de longa duração (horas ou dias). As crises pioram em períodos de sobrecarga de trabalho, estresse, má alimentação, abuso de álcool, privação de sono e período perimenstrual.

A dor caracteriza-se por peso ou aperto, pode ser bilateral ou sentida na cabeça toda. As crises geralmente são de intensidade fraca a moderada.

Ao contrário do que é observado na enxaqueca, a cefaleia tensional não tem como sintomas náuseas, apenas pode ser notada a perda de apetite. Também há relatos de fotofobia e fonofobia, bem mais raros que nos casos de enxaqueca.

As pessoas que sofrem crises fortes e constantes precisam procurar um médico neurologista, no intuito de, após anamnese e exame clínico, identificar o tipo de dor de cabeça e afastar a ocorrência de eventuais infecções – cefaleia secundária.

Após o diagnóstico diferencial, o paciente será instruído a iniciar o monitoramento da dor por meio do diário de dor (melhor descrito no item “O que é enxaqueca?”.

O tratamento de cefaleia tensional, bem como a escolha do método mais adequado de tratamento específico a cada paciente, deve ser feito por um médico neurologista. Partindo dessa condição, há dois métodos de tratamento: um que proporciona alívio imediato dos sintomas e outro cujas medicações rompem o ciclo de dor e as enfermidades associadas.

O segundo método, também denominado de tratamento profilático, é mais empregado em pessoas com crises constantes. Tem como objetivos fundamentais reduzir a ansiedade e os sintomas depressivos, além de auxiliar na regularização do sono.

Secundário

São menos frequentes quando comparadas à ocorrência de casos primários e essas cefaleias são assim denominadas porque têm origens secundárias a patologias subjacentes.

São algumas causas desse tipo de dor de cabeça: hemorragias, infecções bacterianas como sinusite e meningite, infecções virais como influenza e dengue, traumas, trombose venosa, disfunção da articulação têmporo mandíbular e distúrbios crônicos do sono.

Em suma, são dores de cabeça determinadas por infecções ou condições patológicas pré-existentes.

Terciário

Esse tipo de cefaleia ocorre devido ao efeito colateral de fármacos, sendo os principais os usados para o controle da pressão arterial, alívio de problemas digestivos, antidepressivos, anti-inflamatórios, hormônios e anticoncepcionais.

Além da associação medicamentosa, esse tipo de dor de cabeça pode ser provocado por dores de dente, má articulação da boca, glaucoma, sinusite, cansaço visual, otites, pensamentos no nervo trigêmeo e hematoma subdural.

O que é a enxaqueca?

A enxaqueca, ou migrânea, é um dos mais de 200 tipos de dor de cabeça conhecidos e descritos pela Sociedade Internacional de Cefaleia.

De característica pulsátil e localização unilateral, a descrição da dor é, em geral, de moderada a forte.

Há certos sintomas frequentemente observados em quem sofre do tipo primário de dor de cabeça, sendo os principais deles:

– Fotofobia: a pessoa automaticamente procura locais com baixa intensidade luminosa para o alívio da dor;

– Fonofobia: qualquer barulho incomoda, o que leva à busca por lugares calmos e silenciosos;

– Odinofobia: há casos de dores tão fortes que levam à elevada sensibilidade a certos tipos de odor.

Queda do rendimento no trabalho, náuseas e vômitos são outros sintomas observados em quem sofre desse tipo de cefaleia, sendo o sono um aliado no alívio, mesmo que momentâneo, das dores.

Mesmo acometendo pessoas de diversas idades e ambos os sexos, a enxaqueca tem maior ocorrência em mulheres entre a puberdade e a menopausa.

São inúmeros os fatores que desencadeiam a enxaqueca, sendo os principais:

– Comportamental: ansiedade, estresse, aflições, preocupações em excesso e pensamentos negativos;

– Jejum prolongado;

– Falta de sono ou sono de má qualidade;

– Ciclo hormonal, especialmente quando vinculado a irregularidades menstruais, endometriose, ovários policísticos e reposição hormonal;

– Irritação e variações de humor: reações explosivas podem ocasionar crises de enxaqueca;

– Excesso de consumo de bebidas que contenham cafeína;

– Falta de exercícios físicos diários: a prática regular de atividade física ativa a produção de endorfinas, as quais induzem a circulação de serotonina e melatonina, proporcionando relaxamento e aumento da resistência fisiológica;

– Uso de analgésicos: esses medicamentos não tratam a enxaqueca, apenas aliviam as crises, e o uso abusivo gera resistência orgânica a esse tipo de fármaco;

– Ingestão abusiva de certos alimentos: chocolates e outros doces, adoçantes, alimentos gelados, gordurosos ou condimentados podem agravar as crises;

– Fator genético: neste caso, o principal é identificar e começar a prevenção na infância ou nos primeiros anos da adolescência, evitando o desenvolvimento de um estágio crônico.

Para o tratamento e controle das crises constantes de enxaqueca, além de outras medidas que aqui serão descritas, há o diário de dor. É um importante instrumento em longo prazo, pois permite ao médico e ao próprio paciente monitorar, mapear os episódios de dor, quantificar a duração, a intensidade e pontuar outras características, como possíveis fatores predisponentes e sintomas consecutivos.

No diário, a pessoa pontua as seguintes observações:

– Dias em que teve dor;

– Intensidade e duração da dor;

– Lateralidade;

– Fatores predisponentes;

– Fatores atenuadores;

– Características e fase do ciclo menstrual.

Pontuando os acontecimentos de modo correto, o tratamento será mais efetivo.

Outra parte do tratamento são os medicamentos, e com relação aos medicamentos, existem duas questões importantes: a medicação para tratar a crise e a medicação para prevenir a crise.

O primeiro tem maior efeito em curto prazo; já o segundo é mais efetivo, de longo prazo, pois pratica um esquema profilático, com das medicações sendo administradas todos os dias, independentes se houver crise ou não.

No esquema profilático, o fármaco não trata a dor, apenas previne que ela aconteça. Existem dezenas de opções, geralmente usadas como caráter primário para tratamento de outras doenças.

O importante é ter ciência de que o médico neurologista é o profissional que possui plena condição de delinear o tratamento específico para cada caso, para cada paciente que está em processo de tratamento da enxaqueca.

Ainda, é válido ter em mente que, para todo tratamento a base de fármacos fluir com sucesso, o diário de dor deve ser preenchido da forma mais correta possível.

É importante a identificação precoce das cefaleias e, assim, a prevenção na infância e nos primeiros anos da adolescência, com o objetivo de evitar o desenvolvimento de estágio crônico.

E qual o efeito dessas dores nos idosos?

Como descrito anteriormente, as dores de cabeça que afetam a população da terceira idade, de maneira geral, tem causas mais graves comparadas com o que ocorre com populações de outras faixas etárias.

Em grande parte dos casos de cefaleia na população idosa, há relato da aura da enxaqueca sem que ocorra concomitantemente a dor.

E o que é essa áurea da enxaqueca? Trata-se de um fenômeno neurológico que faz com que a pessoa enxergue manchas e luzes, apresente dormência em dedos e nos lábios ou, até mesmo, alterações na fala e nos movimentos.

A áurea da enxaqueca se inicia minutos ou algumas horas antes das crises de dor, tendo duração aproximada de uma hora ou menos.

Em pessoas na terceira idade, há possibilidade de ocorrência de Acidente Vascular Cerebral ou derrame, cujos sintomas são semelhantes aos da áurea e da dor em decorrência da enxaqueca.

Com isso, o diagnóstico diferencial pode ser laborioso.

No caso das cefaleias secundárias em idosos, as condições patológicas primárias mais comumente observadas são: arterite temporal, dissecção arterial e tumores intracranianos.

Do mesmo modo como ocorre com a população mais jovem, o tratamento nos idosos baseia-se no tratamento agudo (das crises) e no tratamento profilático (contínuo, independentemente da presença ou não da dor).

O que diferencia é a atenção dada ao paciente. No caso de idades mais avançadas, a assistência necessita ser maior devido à maior chance de interações medicamentosas e contraindicações.

É muito importante que haja o acompanhamento contínuo de um médico neurologista junto a um médico geriatra, no intuito principal de evitar mistura inadequada de medicamentos.

Imagem ilustrativa da aura da enxaqueca. Muito comum na população idosa, ela pode ou não estar acompanhada de crises de dor.

Como evitar?

A prevenção é sempre a estratégia mais simples e que proporciona maior qualidade de vida, especialmente na população idosa. Para isso, é preciso adotar, desde sempre, um estilo de vida saudável, para que as idades mais avançadas sejam vividas com menos prejuízos trazidos pelo tempo de vida.

Aqui, seguem listados alguns dos mais importantes métodos preventivos dos diferentes tipos de dores de cabeça.

Reduzir as fontes de estresse e criar estratégias para controlar suas consequências

Essa primeira medida é também a mais difícil de ser “tomada”. No entanto, deve-se compreender que um estilo de vida mais tranquilo, com uma rotina menos corrida, mais planejada, que flua com mais calma e, assim, seja mais produtiva, é a solução de mais bom senso e que trará, em curto, médio e longo prazo, uma boa qualidade de vida.

Estresse, um dos aliados das dores de cabeça.

Atentar-se à qualidade do sono

Caminha-se na direção contrária do que é o certo. A insônia é um dos males do século. E com o avanço da idade ela torna-se mais séria. Principais motivos: rotina caótica, pensamento acelerado, falta de planejamento do dia a dia, ansiedade dominando a razão e ausência da capacidade de esvaziar a mente durante o momento feito para o relaxamento.

O certo seria o oposto do descrito logo acima. É fato que uma noite de sono bem dormida é o grande remédio que mantém a resistência de um organismo em níveis adequados, evitando doenças, como, por exemplo, as cefaleias.

Além disso, o descanso físico e mental proporcionado pelo sono faz com que a pessoa se renove para o próximo dia, e que as horas acordadas fluam com a serenidade necessária para que as tarefas sejam cumpridas da forma mais saudável.

Noites de sono bem dormidas são um dos melhores remédios na prevenção das dores de cabeça.

Alimentar-se corretamente

Nem consumismo alimentar desenfreado, nem dietas mirabolantes que só prejudicam o organismo. A alimentação de qualquer pessoa deve ser balanceada e variada. A espécie humana é onívora, portanto não deve haver radicalismo nos hábitos alimentares, não deve haver discriminação em relação a qualquer grupo alimentar.

Alimentação equilibrada é sinônimo de físico e mente saudáveis, uma importante prevenção para os diversos tipos de dores de cabeça que assolam milhões de pessoas no Brasil.

Manter uma alimentação saudável e evitar longos jejuns são comportamentos essenciais na prevenção das cefaleias.

Praticar atividade física e meditação diariamente

A prática diária de atividade física é fundamental para gastar as energias do corpo e da mente. Desse modo, os momentos de relaxamento são bem mais aproveitados e contribuem, assim, para elevar a resistência fisiológica e prevenir doenças.

A meditação é, do mesmo modo, parte essencial da rotina de uma pessoa que pretende alcançar um estilo de vida saudável. Não só o físico, mas também a mente deve trabalhar em harmonia com o meio ambiente.

Meditar é trazer a mente para o presente, é acalmar-se ao reduzir os remorsos do passado e as aflições de um futuro incerto. Logo, é instrumento para a prevenção de doenças, especialmente as de cunho neurológico.

Em comunhão com as atividades físicas regulares, a prática da meditação auxilia na prevenção das doenças neurológicas.

Evitar a automedicação e procurar um especialista

A automedicação é sempre um erro, qualquer que seja a condição patológica. No caso das cefaleias, é muito importante que a pessoa tenha a ciência dos tipos, das causas e efeitos para, assim, procurar um médico especialista e relatar da forma mais sensata os acontecimentos que originaram e que mantêm o seu problema como parte de sua rotina.

Procurar um médico neurologista é um passo fundamental para a prevenção e cura das cefaleias, especialmente na população idosa.

Consultar regularmente um neurologista é garantia de saúde em todas as idades, especialmente na melhor delas.

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