Doença arterial coronariana: causas, como identificar e tratamento adequado

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A doença arterial coronariana é uma condição comum, mas que precisa ser prevenida e tratada.
O que é doença arterial coronariana?

As doenças cardiovasculares são bastante comuns entre as pessoas de vários países, e isso é um sinal de alerta. Estima-se que até 2040, o Brasil já tenha se tornado o país com o maior número de mortes por doenças cardiovasculares no mundo. A doença arterial coronariana é um desses problemas que afeta muitas pessoas no nosso país.

Assim como boa parte das doenças, ela é causada por hábitos ruins que temos no dia a dia e pode ser prevenida apenas adotando um estilo de vida saudável. Neste artigo, vamos falar com detalhes sobre a doença arterial coronariana, quais são as suas causas, tratamentos e como evitar o seu desenvolvimento.

A doença arterial coronariana se desenvolve quando os principais vasos sanguíneos que fornecem sangue, oxigênio e nutrientes ao sangue do coração, também chamados de artérias coronárias, acabam ficando danificados ou doentes. Ela geralmente começa com depósitos contendo colesterol (chamados de placa) nas artérias e inflamação.

Quando a placa se acumula, ela estreita as artérias coronárias, diminuindo o fluxo sanguíneo para o coração. Eventualmente, a diminuição do fluxo sanguíneo pode causar dor torácica (angina), falta de ar ou outros sintomas da doença arterial coronariana.

É preciso ter muito cuidado, pois quando ocorre um bloqueio completo, a pessoa pode sofrer um ataque cardíaco.

Como a doença da artéria coronária geralmente se desenvolve ao longo de muitos anos, a pessoa pode não perceber o problema até ter um bloqueio significativo ou um ataque cardíaco.

Entretanto, existem várias coisas que podemos fazer para prevenir e tratar a doença arterial coronariana. Uma das principais formas de evitar o seu desenvolvimento é a adoção de um estilo de vida mais saudável, evitando alimentos gordurosos e praticando exercícios físicos.

Quais as principais causas dessa doença?

A doença arterial coronariana atrapalha a circulação do sangue que vai para o coração.

A doença arterial coronariana começa com danos ou lesões na camada interna de uma artéria coronária. Esses danos podem começar a qualquer momento da vida de uma pessoa, até mesmo na infância. Isso pode ser causado por vários fatores, incluindo:

  • Fumar
  • Pressão arterial elevada
  • Colesterol alto
  • Diabetes ou resistência à insulina
  • Sedentarismo

Uma vez que a parede interna de uma artéria é danificada, os depósitos de gordura feitos de colesterol e outros produtos de resíduos celulares tendem a se acumular no local da lesão em um processo chamado aterosclerose.

Se a superfície da placa quebrar ou se romper, as células do sangue chamadas plaquetas aglomerarão no local para tentar reparar a artéria. Só que essas células podem acabar bloqueando a artéria, levando a um ataque cardíaco.

Existem também alguns fatores de risco aos quais precisamos ficar atentos. Esses fatores são:

  • Idade – pessoas mais velhas têm uma saúde mais frágil e sofrem mais com o risco de ter artérias danificadas e estreitadas.
  • Sexo – os homens geralmente correm maior risco de desenvolver a doença arterial coronariana. No entanto, o risco para as mulheres aumenta após a menopausa.
  • Histórico familiar -pessoas que têm histórico familiar de doença cardíaca correm um maior risco de sofrer com a doença arterial coronariana, principalmente se um parente próximo desenvolveu doença cardíaca em uma idade precoce.
  • Cigarro – as pessoas que fumam têm um risco significativamente maior de desenvolver alguma doença cardíaca. A exposição de outros indivíduos como fumantes passivos também aumenta esse risco.
  • Pressão arterial elevada – a pressão arterial elevada não controlada pode resultar em endurecimento e espessamento das artérias, diminuindo o canal através do qual o sangue pode fluir.
  • Níveis elevados de colesterol no sangue – Níveis elevados de colesterol no sangue podem aumentar o risco de formação de placas e aterosclerose. O colesterol elevado pode ser causado por um alto nível de lipoproteína de baixa densidade (LDL), conhecido como o colesterol “ruim”.

Um baixo nível de lipoproteína de alta densidade (HDL), conhecido como “bom” colesterol, pode ser um sinal de aterosclerose.

  • Diabetes – a diabetes também está associada a um risco aumentado de doença arterial coronariana. A diabetes tipo 2 e a doença arterial coronarianacompartilham fatores de risco semelhantes, como obesidade e pressão arterial elevada.
  • Sobrepeso ou obesidade -o excesso de peso é um problema que geralmente piora outros fatores de risco.
  • Falta de exercícios físicos – a falta de exercícios físicos também está associada à doença coronariana e alguns dos seus fatores de risco.
  • Muito estresse – o excesso de estresse pode danificar suas artérias e piorar outros fatores de risco para a doença arterial coronariana.

Os fatores de risco geralmente ocorrem juntos ou um podem acabar desencadeando o outro, como a obesidade, por exemplo, que leva à diabetes tipo 2 e pressão arterial elevada.

É preciso ter bastante cuidado se você estiver dentro de mais de um fator de risco, pois, quando agrupados, alguns deles colocam você em risco ainda maior de desenvolver a doença arterial coronariana.

Um exemplo é a síndrome metabólica – uma série de condições que inclui pressão arterial elevada, triglicerídeos altos, níveis elevados de insulina e excesso de gordura corporal em torno da cintura – que também aumenta o risco da doença.

Como identificar uma doença arterial coronariana?

Como citado anteriormente, nem sempre é fácil identificar a doença arterial coronariana. Entretanto, quando começa a ocorrer o estreitamento das artérias, o corpo começa a apresentar alguns sinais.

Quando as artérias coronárias ficam mais estreitas, elas não conseguem fornecer sangue rico em oxigênio para o coração – principalmente quando ele está batendo forte, como durante exercícios físicos.

No início, a diminuição do fluxo sanguíneo pode não apresentar nenhum sintoma. Mas conforme a placa continua a aumentar nas artérias coronárias, mais sintomas da doença vão surgindo. Entre esses sintomas, estão:

  • Dor no peito (angina) – a angina é caracterizada pela sensação de pressão ou aperto no tórax. Esta dor geralmente ocorre no meio ou lado esquerdo tórax. A angina geralmente é desencadeada por estresse físico ou emocional.

A dor desaparece dentro de poucos minutos depois de ocorrido o que causou o estresse. Em algumas pessoas, especialmente mulheres, essa dor pode ser passageira ou muito forte e é sentida no pescoço, no braço ou nas costas.

  • Falta de ar – se o coração não pode bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo, a pessoa começa a sofrer com falta de ar ou fadiga extrema com esforço.
  • Ataque cardíaco – como já citamos, uma artéria coronária completamente bloqueada pode causar um ataque cardíaco. Os sintomas mais comuns de um ataque cardíaco incluem uma forte pressão no peito e dor no ombro ou braço, além de falta de ar e sudorese.

As mulheres são mais propensas a apresentar sintomas menos comuns de ataque cardíaco, como dor no pescoço ou no maxilar. Entretanto, às vezes ele pode ocorrer sem nenhum sintoma aparente. Ao identificar algum sinal de ataque cardíaco, procure um atendimento médico emergencial o quanto antes.

Como tratar essa doença?

A prática de exercícios físicos não só trata, mas também ajuda a prevenir a doença arterial coronariana.

Pacientes com fatores de risco para a doença arterial coronariana – como pressão alta, colesterol alto, tabagismo, diabetes, histórico familiar de doença cardíaca ou obesidade – precisam consultar um médico periodicamente. Caso a pessoa apresente sinais ou sintomas de artérias estreitas, será preciso fazer alguns exames para verificar se será necessário iniciar algum tratamento para a doença.

Os exames realizados geralmente são:

Eletrocardiograma (ECG) – o eletrocardiograma registra sinais elétricos enquanto viajam pelo seu coração. Um ECG geralmente pode revelar evidências de um ataque cardíaco anterior ou o risco de se ter um.

Em alguns casos pode ser feito um monitoramento por Holter para um diagnóstico mais preciso. Com esse tipo de ECG, o paciente fica com um monitor portátil durante 24 horas à medida que faz as suas atividades diárias normais. Algumas anormalidades nos resultados podem indicar um fluxo sanguíneo inadequado para o seu coração.

Ecocardiografia – o ecocardiograma, ou ecocardiograma com Doppler, usa ondas sonoras para produzir imagens do coração do paciente. Durante um ecocardiograma, o médico pode determinar se todas as partes da parede do coração estão contribuindo normalmente para a atividade de bombeamento do sangue.

Partes que se movem com pouca força podem ter sido danificadas durante um ataque cardíaco ou estar recebendo muito pouco oxigênio. Isso pode indicar doença arterial coronariana ou várias outras condições.

Teste de esforço -e os sintomas ocorrem com mais frequência durante o exercício físico, o médico pode pedir ao paciente para caminhar em uma esteira ou pedalar em uma bicicleta ergométrica durante um ECG.

Esse exame é conhecido como Teste de esforço ou Teste Ergométrico. Em alguns casos, medicamentos para estimular o coração podem ser usados no lugar de exercícios.

Alguns testes de esforço são feitos usando um ecocardiograma. O médico pode, por exemplo, realizar um ultrassom antes e depois de um exercício para fazer uma comparação. Pode ser usado também um medicamento para estimular o coração durante um ecocardiograma.

Cateterismo cardíaco ou angiograma – para analisar o fluxo de sangue que passa pelo coração do paciente, o médico pode injetar um corante especial nas suas artérias coronárias. Este procedimento é conhecido como angiograma.

O corante é injetado nas artérias do coração através de um tubo longo, fino e flexível (cateter) que é enrolado através de uma artéria, geralmente na perna, nas artérias do coração. Esse procedimento é chamado de cateterismo cardíaco. O corante permite ver manchas estreitas e bloqueios nas imagens de raio-X.

O tratamento geralmente envolve mudanças no estilo de vida e, se necessário, medicamentos e certos procedimentos médicos.

A adoção de hábitos mais saudáveis pode ser de grande ajuda na hora de manter as artérias mais saudáveis. Esses hábitos incluem:

  • Parar de fumar
  • Comer alimentos mais saudáveis
  • Praticar exercícios físicos regularmente
  • Perder o excesso de peso
  • Reduzir o estresse

Vários medicamentos também podem ser usados para tratar a doença arterial coronariana, incluindo: medicamentos modificadores de colesterol, aspirina, bloqueadores beta, nitroglicerina, inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) e bloqueadores dos receptores da angiotensina II (ARBs).

Nunca tome nenhum medicamento sem a prescrição do médico. Ele irá analisar os resultados dos exames, consultar o seu histórico e indicar quais medicamentos serão os mais adequados para o seu caso.

Um médico deve examinar seu coração para indicar o tratamento mais adequado.

Em casos mais extremos, é necessário um tratamento mais agressivo para restaurar e melhorar o fluxo sanguíneo. Entre as opções de tratamento usadas estão:

Angioplastia Coronária ou Intervenção Coronária Percutânea – este tratamento, o médico insere um tubo longo e fino (cateter) na parte estreita da artéria. Um fio com um balão deflacionado é passado através do cateter para a área estreitada. O balão é então inflado, comprimindo os depósitos contra as paredes da artéria.

Um stent é muitas vezes deixado na artéria para ajudar a mantê-la aberta. Alguns stents liberam lentamente medicamentos que também ajudam a manter a artéria aberta.

Ponte aorto-coronária – neste procedimento, o cirurgião cria um enxerto para ignorar as artérias coronárias bloqueadas usando um vaso de outra parte do corpo. Isso permite que o sangue flua em torno da artéria coronária que está bloqueada ou estreita. Por ser um procedimento cirúrgico, ele geralmente é realizado apenas quando há casos de múltiplos estreitamento das artérias coronárias.

Quais os métodos preventivos mais eficazes contra a doença arterial coronariana?

Os mesmos hábitos que ajudam no tratamento da doença arterial coronariana também podem ajudar a evitar que ela se desenvolva. Ter um estilo de vida saudável pode ajudar a manter suas artérias fortes e livres de placas. Para melhorar a saúde do coração, é recomendável adotar os seguintes cuidados:

  • Parar de fumar;
  • Controlar condições como hipertensão arterial, colesterol alto e diabetes;
  • Praticar exercício físico;
  • Seguir uma dieta com baixo teor de gordura e baixo teor de sal, rica em frutas, vegetais e grãos integrais;
  • Manter um peso saudável;
  • Reduzir e controlar o estresse.

Ao indicar qualquer sinal de doença arterial coronariana, procure um médico o quanto antes, pois apenas ele poderá indicar os exames e tratamentos indicados para o seu caso. E lembre-se, esta é mais uma doença que pode ser prevenida apenas adotando um estilo de vida mais saudável.

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